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Redes sociais: Entenda a problemática das redes sociais e influencers menores de idade

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Redes sociais: Entenda a problemática das redes sociais e influencers menores de idade

Redes sociais devem ser usadas com moderação e cuidados | Foto: Pixabay

Entenda por que o uso das redes sociais em excesso por menores de idade preocupam especialistas e pais

Saiba os detalhes de como o excesso do uso das redes sociais afeta a saúde mental de jovens, sendo um tema que merece muita atenção e algumas precauções.

A problemática das redes sociais

Nos dias atuais compartilhamos toda nossa vida nas redes sociais, onde elas possibilitaram novas formas de disseminar várias informações pessoais, se tornando tão comum que os usuários nem acreditam que isso seja de extrema importância. Essa ambição das pessoas com relação ao desejo de compartilhar não é algo que surgiu recentemente, sendo uma prova da vontade intrínseca do ser humano de criar novas conexões.

Assim, é possível entender que tal “problema” não ocorreu por culpa do advento das mídias sociais em si, mas que sua principal relação está ligada a quem nós permitimos que tenha acesso e ao tipo de informação que nós compartilhamos e muitos não se dão conta dos perigos que estão suscetíveis. O que também se enquadra às baixas limitações nas configurações dos filtros de quem tem permissão para ver suas atividades. Considerando que é bem comum que os usuários utilizem várias redes sociais, deixam muitos detalhes pessoais sujeitos à ataques, onde um possível criminoso pode coletar suas informações de cada uma de suas contas nas plataformas digitais.

Visão de especialistas

Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade de San Diego e autora do livro “The Narcissism Epidemic”, ouviu pessoas viciadas em redes sociais que declararam: “Eu sei que não deveria, mas não posso evitar” e “ter este objeto perto de mim enquanto estou dormindo é um conforto”. A especialista relatou em seu artigo para a revista The Atlantic que o excesso no uso das redes sociais pode estar relacionado diretamente à alta nos casos de depressão e ansiedade, onde de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), atingem 4,4% e 3,6% de toda a população do mundo.

Sua conclusão publicada pela Royal Society for Public Health foi baseada em um estudo que envolveu 1500 jovens da Grã-Bretanha, de 14 a 24 anos, e apurou dados sobre os efeitos das redes sociais em seus cotidianos. A maioria dos jovens declarou que acreditam que as redes sociais tem uma contribuição positiva em suas vidas, mas podem afetar seu bem-estar. O estudo concluiu ainda que 5% dos jovens do país sofrem com o vício em redes sociais e sua dependência é tão grande quanto fosse por álcool e cigarro.

Em outra pesquisa publicada na Psychological Reports e realizada por neurocientistas da University of Southern California e da Beijing Normal University, foi concluído que utilizar o Facebook ativa a mesma parte do cérebro de quando é feito abuso de substâncias, visto que mesmo os jovens que não se sentem bem têm dificuldades para abandonar o prazer dos “likes” e podem desenvolver diversas doenças.

De acordo com Luciana Ruffo, do Núcleo em Pesquisa em Psicologia e Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo “aquilo que vejo no outro, é o que eu quero ser. No Instagram, muitas imagens são produzidas e tratadas, mas quando as observamos, não notamos isso instintivamente e o que fica é uma imagem de perfeição, impossível de atingir.”

Influencers e o abuso das redes sociais

Redes sociais em excesso podem afetar saúde mental | Foto: Unsplash

O advento de novas tecnologias sempre ocorre com questionamentos, mas também entusiasmo. O uso demasiado das redes sociais e o surgimento de cada vez mais influencers passam pelos mesmos debates, porém os problemas psíquicos que afetaram o bem-estar causados por esse excesso nunca teve um número tão grande de diagnósticos registrados na história, o que torna a situação muito preocupante. Nos Estados Unidos, houve um aumento nos registros de suicídio e depressão desde 2007, com um crescimento de 100% entre as meninas e 30% entre os meninos e no mais as maiores taxas de suicídio são de jovens entre 15 e 19 anos.

Em um de seus estudos, a especialista Jean Twenge relatou que existe uma probabilidade 35% maior no desenvolvimento de algum fator de risco para o suicídio entre os jovens que passam a partir de três horas por dia utilizando aparelhos eletrônicos. Também existem pesquisas que demonstram um fenômeno de “alargamento” da infância, manifestando comportamentos condizentes com sua idade cada vez mais tarde. “Jovens de 18 anos agem agora como os de 15 anos e os de 15 anos, como os de 13 anos. A infância agora se estende até o Ensino Médio”, comenta.

A especialista em fisiologia cerebral da Universidade de Oxford, Susan Greenfield, declarou à revista Veja que os jovens dos Estados Unidos com idades entre 13 e 17 anos gastam uma média semanal de 30 horas na internet e completou dizendo: “São quatro ou cinco horas por dia não caminhando na praia, não dando um abraço, não subindo em árvores, enfim, não fazendo todas as coisas que as crianças costumam fazer.”

Redes sociais e inteligência emocional

É possível citar algumas medidas que serviriam para amenizar os efeitos negativos das redes sociais como levar o tema até o âmbito educacional, meios de alerta para o uso em excesso das redes sociais ou avisos que determinadas fotos foram editadas digitalmente e não condizem com a realidade. Sendo assim, veja a seguir 4 dicas da psicóloga Luciana Ruffo para melhorar sua relação com as redes sociais:

1 - Monitorar seu uso de rede sociais

Observe quantas vezes e quando você as acessa e assim compreenda como invadem seu tempo e consequentemente sua vida pessoal.

2 - Prestar atenção nos alertas dos amigos

Sempre dê atenção quando as pessoas ao seu redor lhe alertarem de que precisa dedicar mais tempo às interações do mundo real.

3 - Observar suas mudanças de humor

Analise como o seu emocional se comporta antes, durante e depois do uso das redes sociais e se lhe dão algum gatilho que gera ansiedade ou angústia.

4 - Lembrar de que nas redes a realidade é editada

Compreenda que as postagens em sua maioria são fragmentos positivos das vidas das pessoas, o que não seria motivo de comparações.

Entenda o caso da mãe que excluiu as redes sociais da filha

Mãe de influencer exclui Instagram e Tiktok da filha | Foto: Unsplash

A manchete "mãe apaga redes sociais da filha para proteger saúde mental" ficou popular depois de da paulista de 38 anos, Fernanda Rocha Kanner, excluir as redes sociais de sua filha Nina, de apenas 14 anos de idade, mas que tinha quase 2 milhões de seguidores. Quanto maior o número de seguidores, maior a fama e com ela vem os elogios excessivos, mas também muitas mensagens de ódio e “haters”. Isso foi o suficiente para que Fernanda decidisse que aquilo não estava fazendo bem a filha e postou a seguinte declaração após questionamentos sobre o sumiço de Nina:

“Decidi apagar a conta do Tiktok e do Instagram dela. Chata, eu sei, mas nossa função como mãe não é ser amiguinha. O carinho que vocês têm por ela é a coisa mais fofa, mas eu não acho saudável nem para um adulto e muito menos para uma adolescente basear referências de autoconhecimento em feedback virtual. Isso é ilusão e ilusão mete uma neblina danada na estrada do se encontrar.”

E completou dizendo: “Eu não quero que ela cresça acreditando que é esse personagem. Não quero ela divulgando roupas inflamáveis de poliéster made in China. Não quero minha filha brilhante se prestando a dancinhas diárias como um babuíno treinado. Acho divertido… e mega insuficiente. Triste geração em que isso justifica fama (...) A vida só presta quando se é feliz offline primeiro.”

Nina resistiu a decisão e “ficou muito brava uns dois dias, trancada no quarto dela” até voltar ao normal depois de alguns dias. Já Fernanda declarou também que sofreu muitos comentários negativos, xingamentos e ataques pela decisão de apagar as redes sociais da filha e dar prioridade a sua preocupação de mãe. Essa e outras notícias você pode conferir no Portal Viu, em https://www.portalviu.com.br/