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Faraó do bitcoin: Entenda essa nova onda de golpe

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Faraó do bitcoin: Entenda essa nova onda de golpe

Investimento bitcoin foi utilizado para realizar esquema de pirâmide | Foto: Pixabay

Saiba como tem se dado o golpe realizado pelos "faraós do bitcoin"

Entenda como o faraó do bitcoin conseguiu bilhões de reais realizando golpes de esquema de pirâmide e saiba como está o andamento das investigações da Polícia Federal contra todos os suspeitos desse grande crime financeiro.

O que é o golpe dos faraós do bitcoin

O ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, de 38 anos, ficou conhecido como “faraó do bitcoin”, após ser acusado de comandar um esquema de pirâmide financeira. Os encarregados pela investigação suspeitam que ele e os sócios possuam empresas e patrimônios em outros países e que estes não foram apresentados à Receita Federal. Também foram abertas investigações nos Emirados Árabes, Malta, Estados Unidos, Colômbia e Portugal.

As ações ocorriam a partir de criptocorretoras de outros países, já que com elas não é necessário prestar informações para as autoridades do Brasil. “As movimentações financeiras operadas pelo esquema foram feitas por meio de exchanges que não seguem as práticas de prevenção à lavagem de dinheiro e crimes financeiros”, declarou a ABCripto, associação que engloba um conjunto de organizações que visam consolidar o uso de criptoativos no país e que alerta sobre os processos de legalidade dessas moedas.

O faraó do bitcoin e dono da GAS Consultoria também tinha a venezulana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, sua esposa, como sócia e juntos possuíam um imóvel de luxo avaliado em 9 milhões de reais, na região de Cabo Frio, no Rio de Janeiro.

Segundo uma ligação que foi interceptada pelas autoridades alguns dias antes do início da Operação Kryptos, os investidores realizavam depósitos de 2 bilhões de reais a cada hora na conta do faraó do bitcoin e a principal tática do esquema seria transformar o dinheiro em criptomoedas após esvaziar a conta em um intervalo de 10 minutos.

Glaidson também efetuou depósitos de mais de 72 milhões de reais, em um período de 2 anos, para a Igreja Universal do Reino de Deus, a partir de sua empresa, apresentados às autoridades policiais como doações a esta instituição religiosa.

Quantas pessoas estão envolvidas

Valor bitcoin - bilhões de reais foram movimentados no esquema | Foto: Freepik

A Polícia Federal indiciou Glaidson, o faraó do bitcoin, e mais 21 pessoas através da realização da operação Kryptos. Os envolvidos terão que responder por crimes contra o sistema financeiro do país, incluindo organização criminosa, gestão fraudulenta e de organização financeira sem autorização.

O juiz que aceitou a denúncia é Vitor Valpuesta, que atua na 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Também foi determinado que os reús, que estiverem em liberdade, não possuem autorização para deixar o país e era necessário entregar os passaportes às autoridades. Além disso, a justiça determinou que a quantia de 38 bilhões de reais fosse bloqueada, sendo esta movimentada pela empresa e contas do faraó do bitcoin desde o ano de 2015.

O faraó e outro acusado de colaborar com os golpes, Tunay Pereira Lima, estão presos na penitenciária de segurança máxima conhecida como Bangu 1, onde Glaidson teve de ser transferido para esta unidade prisional depois que agentes encontraram carnes e celulares em em sua cela.

Por fim, a decisão do juíz declarou que Glaidson e sua esposa “teriam promovido, constituído, financiado e integrado, pessoalmente, de modo estruturalmente ordenado e com divisão de tarefas, organização criminosa preordenada à prática de crimes contra o sistema financeiro, contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro auferido desses crimes, valendo-se, para tanto, de extensa rede de pessoas físicas e jurídicas, atuantes no Brasil e no exterior”.

Perfil de pessoas que caem no golpe

A empresa GAS Consultoria & Tecnologia, que pertencia ao faraó do bitcoin, atraía todos aqueles que gostariam de ter um pagamento mensal de 10% do dinheiro aplicado em criptomoedas. De acordo com investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, a corporação realizou movimentações em torno de 7 bilhões de reais entre os anos de 2019 e 2020.

Essa empresa diretamente envolvida no suposto esquema criminoso, seria responsável pela estruturação do esquema de pirâmide financeira que foi disfarçado como sendo a realização de investimentos com a moeda bitcoin e teria movimentado, desde o ano de 2015, um volume de capital avaliado em 38 bilhões de reais a partir de 67 mil clientes da corporação.

Como está rolando a investigação da PF?

Bitcoin cotação - valor de R$ 150 milhões de bitcoins foi encontrado no dia da prisão | Foto: Unsplash

No dia 25 de agosto, o faraó do bitcoin foi encontrado na Barra da Tijuca em um de seus imóveis. Os agentes da Polícia Federal encontraram automóveis de luxo, relógios, joias e charutos cubanos que tinham um grande valor, além de milhões de reais em espécie e mais R$ 150 milhões em bitcoins (de acordo com sua cotação naquele dia). No mês de setembro foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça, um novo pedido de liberdade realizado pela equipe de defesa do faraó do bitcoin.

Outra linha de investigação também pretende compreender a participação da mulher de Glaidson no esquema, que comandava os trades de sua corporação. Como ela realizou uma viagem para os Estados Unidos pouco tempo antes da operação da polícia e continua foragida, o Ministério Público Federal pediu sua extradição do país e seu nome foi divulgado à Interpol.

Já os advogados do faraó do bitcoin prestaram as seguintes alegações através de uma nota: “Como não houve lesão a cliente algum, o principal argumento da defesa é descaracterizar como fraude a operação da GAS Consultoria. Em relação a alegação de que a empresa não estava adequada às exigências regulatórias, importante destacar que, em quase uma década de operação, a GAS jamais foi notificada por órgão oficial algum sobre irregularidades”.

Portal Viu Online

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